Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, julho 12, 2007

Que é isto que sinto?!

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstracta
Da vida concreta -
Qualquer coisa como um grito
por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que fomidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...


Álvaro de Campos

sexta-feira, junho 29, 2007

A Bailarina

Este post é especialmente dedicado à minha colega Ana Paula, cuja filhota adora bailado. Esta era uma das poesias que lia às minhas próprias filhas quando eram pequenas. Elas adoravam... Pediam para repetir e repetir e repetir...

A BAILARINA
Cecília Meireles http://www.revista.agulha.nom.br/ceciliameireles.html

Esta menina tão pequenina quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré, mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá, mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si, mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar e não fica tonta, nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu.
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças e também quer dormir como as outras crianças.