Mas, desta vez, curvo-me perante tal texto.
Haja críticos neste país de amorfos!
(Crónica de António Lobo Antunes)
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara
Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.
O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles.
Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.
Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade. As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente.
Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente, indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos por, como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano.
Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos.
Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.
Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.
Abaixo o Bem-Estar. Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval. Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros.
Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos um aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
Retirado daqui: Revista Visão
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quinta-feira, abril 12, 2012
quinta-feira, março 01, 2012
"Um dia isto tinha de acontecer"
domingo, outubro 02, 2011
terça-feira, outubro 19, 2010
Sei que é uma mensagem demasiado longa para quem, como eu, anda demasiado cansada. Mas não resisto, uma vez que estou de acordo com a quase totalidade desta missiva. Fizessem os políticos o que deveriam (zelar pelos interesses do país) e não estaríamos como estamos...
(carta recebida por email)
.
TENHAM VERGONHA
Carta aberta ao Sr. Mário Soares, Sr. António José Seguro e a todos os políticos de Portugal
Carta aberta ao Sr. Mário Soares, Sr. António José Seguro e a todos os políticos de Portugal
Sr. Mário Soares,
Sou um cidadão que trabalha, paga impostos, para que o Sr. e todos os restantes políticos de Portugal andem na boa vida.Há dias, ouvi o Sr, doutamente, nas TV's, a avisar o povo português para que não se pusesse com greves, porque ainda ia ser pior. Depois ouvi o Sr. António José Seguro, revoltar-se contra os impostos e colocar-se ao lado do povo.Ouvi o Sr. perguntar onde estava a alternativa ao aumento de impostos, e aqui estou eu para lhe dar a alternativa.
Sou um cidadão que trabalha, paga impostos, para que o Sr. e todos os restantes políticos de Portugal andem na boa vida.Há dias, ouvi o Sr, doutamente, nas TV's, a avisar o povo português para que não se pusesse com greves, porque ainda ia ser pior. Depois ouvi o Sr. António José Seguro, revoltar-se contra os impostos e colocar-se ao lado do povo.Ouvi o Sr. perguntar onde estava a alternativa ao aumento de impostos, e aqui estou eu para lhe dar a alternativa.
Como o Sr. Mário Soares pediu que alguém lhe desse a alternativa à subida de impostos, aqui lhe deixo 10 medidas que me vieram à mente assim, de repente:
1 - Acabar com as pensões vitalícias e restantes mordomias de todos os ex-presidentes da República (os senhores foram PR's, receberam os seus salários pelo serviço prestado à Pátria, não têm de ter benesses por esse facto);
2 - Acabar com as pensões vitalícias e / ou pensões em vigor dos primeiros-ministros, ministros, deputados e outros quadros (os Srs deputados receberam o seu ordenado aquando da sua actividade como deputado, não têm nada que ter pensões vitalícias nem serem reformados ao fim de 12 anos; quando muito recebem uma percentagem na reforma, mas aos 65 anos de idade como os restantes portugueses - veja-se o caso do Sr. António Seguro que na casa dos 40 anos de idade já tem direito a reforma da Assembleia da República);
3 - Reduzir o nº de deputados para 100;
4 - Reduzir o nº de ministérios e secretarias de estado, institutos e outras entidades criadas artificialmente, algumas desnecessárias e muitas vezes até redundantes, apenas para dar emprego aos "boys";
5 - Acabar com as mordomias na Assembleia da República e no Governo, e ao invés de andarem em carros de luxo, andarem em viaturas mais baratas, ou de transportes públicos, como nos países ricos do Norte da Europa (no dia em que se anunciou o aumento dos impostos por falta de dinheiro, o Estado adquiriu uma viatura na ordem dos 140 mil € para os VIP's que nos visitarão);
6 - Acabar com os subsídios de reintegração social atribuídos aos vereadores, aos presidentes de Câmara, e outras entidades (multiplique-se o número de vereadores existentes pelo número de municípios e veja-se a enormidade e imoralidade que por aí grassa);
7 - Acabar com as reformas múltiplas, sendo que um cidadão só poderá ter uma única reforma (ao invés de duas e três, como muitos têm);
8 - Criar um tecto para as reformas, sendo que nenhuma poderá ser maior que a do PR;
9 - Acabar com o sigilo bancário;
10 - Criar um quadro da administração do Estado, de modo a que quando um governo mude, não mudem centenas de lugares na administração do Estado;
Com estas simples 10 medidas, a classe política que vai desgraçando o nosso amado Portugal, daria o exemplo e deixaria um sinal inequívoco de que afinal, vale a pena fazer sacrifícios, e que o dinheiro dos portugueses não é esbanjado em Fundações duvidosas, em TGV's, em aeroportos, em obras sumptuosas.Enquanto isso não acontecer, eu não acredito no Sr. Mário Soares, não acredito no Sr. António Seguro, e não acredito em nenhum político desde o Bloco de Esquerda ao CDS, nem lhes reconheço autoridade moral para dizerem ao povo o que deve fazer.
Em último caso, têm a palavra as Forças Armadas, que têm o ónus de defender o povo português de qualquer agressão externa e / ou interna, e que paradoxalmente têm estado em silêncio perante o afundamento de Portugal.
Zé do Povo
Portugal
segunda-feira, setembro 20, 2010
Continua tudo na mesma...
"É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disso. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente,uma colectividade pacífica de revoltados"
Miguel Torga
Miguel Torga
quarta-feira, julho 01, 2009
Apesar do tamanho, não resisto...
Miguel Sousa Tavares
Segunda-feira, 29 de Jun de 2009
.
Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha ena companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmopercurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, éuma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursãopela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsitocerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis.Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela estáespantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam queo desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto,vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não hánenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio.Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, napoupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacionalestá cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem queproduzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linhaLisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não hárestaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Porisso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estadoperde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às trêshoras e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encheremo país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umasameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não mefalha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGVdeles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. VitalMoreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota,para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois,pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e,finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois voltapara trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todosos dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava afasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se aauto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para osbancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração éque vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto,nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para ojustificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV comEspanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGVque já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm deter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que elapareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro dacidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelarcerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás,estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar ascompanhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para umpequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser umhub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para aEuropa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o queé aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber,serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem operímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agriculturanão tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve paranada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é oque nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-separa me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundofora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todasas asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres eenlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento.E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajarcomo Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!
Segunda-feira, 29 de Jun de 2009
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Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha ena companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmopercurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, éuma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursãopela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsitocerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis.Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela estáespantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam queo desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto,vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não hánenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio.Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, napoupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacionalestá cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem queproduzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linhaLisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não hárestaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Porisso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estadoperde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às trêshoras e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encheremo país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umasameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não mefalha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGVdeles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. VitalMoreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota,para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois,pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e,finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois voltapara trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todosos dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava afasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se aauto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para osbancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração éque vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto,nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para ojustificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV comEspanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGVque já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm deter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que elapareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro dacidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelarcerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás,estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar ascompanhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para umpequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser umhub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para aEuropa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o queé aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber,serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem operímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agriculturanão tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve paranada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é oque nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-separa me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundofora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todasas asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres eenlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento.E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajarcomo Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!
sexta-feira, abril 17, 2009
Nem imagino o que o Tiago Santos deve estar a sentir neste momento...
... só sei que gostaria de estar a sentir o mesmo (eh, eh, eh...). Que bom!
domingo, março 08, 2009
Anedota ou realidade?

Numa manhã, a professora pergunta ao aluno:
- Diz-me lá quem escreveu Os Lusíadas?
O aluno, a gaguejar, responde:
- Não sei, Sra. Professora, mas eu não fui.
E começa a chorar. A professora, furiosa, diz-lhe:
- Pois então, de tarde, quero falar com o teu pai.
- Diz-me lá quem escreveu Os Lusíadas?
O aluno, a gaguejar, responde:
- Não sei, Sra. Professora, mas eu não fui.
E começa a chorar. A professora, furiosa, diz-lhe:
- Pois então, de tarde, quero falar com o teu pai.
Em conversa com o pai, a professora faz-lhe queixa:
- Não percebo o seu filho. Perguntei-lhe quem escreveu Os Lusíadas e ele respondeu-me que não sabia, que não foi ele...
Diz o pai:
- Bem, ele não costuma ser mentiroso, se diz que não foi ele, é porque não foi. Já se fosse o irmão...
- Não percebo o seu filho. Perguntei-lhe quem escreveu Os Lusíadas e ele respondeu-me que não sabia, que não foi ele...
Diz o pai:
- Bem, ele não costuma ser mentiroso, se diz que não foi ele, é porque não foi. Já se fosse o irmão...
Irritada com tanta ignorância, a professora resolve ir para casa e, na passagem pelo posto local da G.N.R., diz-lhe o comandante:
- Parece que o dia não lhe correu muito bem...
- Pois não, imagine que perguntei a um aluno quem escreveu Os Lusíadas respondeu-me que não sabia, que não foi ele e começou a chorar.
O comandante do posto:
- Não se preocupe. Chamamos cá o miúdo, damos-lhe um 'aperto', vai ver que ele confessa tudo!
- Parece que o dia não lhe correu muito bem...
- Pois não, imagine que perguntei a um aluno quem escreveu Os Lusíadas respondeu-me que não sabia, que não foi ele e começou a chorar.
O comandante do posto:
- Não se preocupe. Chamamos cá o miúdo, damos-lhe um 'aperto', vai ver que ele confessa tudo!
Com os cabelos em pé, a professora chega a casa e encontra o marido sentado no sofá, a ler o jornal. Pergunta-lhe este:
- Então o dia correu bem?
- Ora, deixa-me cá ver... Hoje perguntei a um aluno quem escreveu Os Lusíadas. Começou a gaguejar, que não sabia, que não tinha sido ele e pôs-se a chorar. O pai diz-me que ele não costuma ser mentiroso. O comandante da G.N.R. quer chamá-lo e obrigá-lo a confessar. Que hei-de fazer a isto?
O marido, confortando-a:
- Olha, esquece. Janta, dorme e amanhã tudo se resolve. Vais ver que se calhar foste tu e já não te lembras...!
- Então o dia correu bem?
- Ora, deixa-me cá ver... Hoje perguntei a um aluno quem escreveu Os Lusíadas. Começou a gaguejar, que não sabia, que não tinha sido ele e pôs-se a chorar. O pai diz-me que ele não costuma ser mentiroso. O comandante da G.N.R. quer chamá-lo e obrigá-lo a confessar. Que hei-de fazer a isto?
O marido, confortando-a:
- Olha, esquece. Janta, dorme e amanhã tudo se resolve. Vais ver que se calhar foste tu e já não te lembras...!
Tenho consciência que esta história é um pouco exagerada, tendo em conta que se trata de Os Lusíadas. Mas caso se tratasse de uma qualquer outra obra de vulto... Não sei, não! Temos, hoje em dia, inúmeros alunos nas escolas que apenas as frequentam para se socializarem e tomarem as refeições diárias... :(
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Uma notícia especial...
É invulgar ler notícias sobre concertos no estrangeiro (no caso, Rússia), com orquestras consagradas como a Orquestra Sinfónica Kapella de São Petersburgo, interpretando exclusivamente obras de autores portugueses (Eurico Carrapatoso, Viana da Motta e Joly Braga Santos) e dirigida por um maestro também ele luso (João Tiago Santos). E, ainda por cima, saber que foi um sucesso. Fiquei feliz!
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Ai, ai, ai, ai, ai...
Juízes dizem que poder político tem acesso a processos mesmo em segredo de justiça e, por isso, subscrevem um manifesto.
"O novo sistema informático Citius permite o acesso em tempo real do poder político a todos os processos judiciais, mesmo os que estão sob segredo de justiça, permitindo mesmo introduzir alterações nos despachos de um juiz ou nas acusações de um advogado."
Nada como investir bem nas novas tecnologias...
sábado, janeiro 10, 2009
Há quem ainda não tenha medo de dizer o que lhe vai na alma...
Medina Carreia no "Nós por cá" da SICquinta-feira, dezembro 11, 2008
quarta-feira, outubro 15, 2008
Comecemos hoje!
Cada um à sua maneira, lutemos contra a fome!Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística em Outubro de 2007 calculavam em dois milhões o número de pobres em Portugal, o que equivale a um terço da população entre os 16 e os 64 anos. Isabel Jonet, também contactada pela Lusa, destaca, entre os diferentes cenários de pobreza o que é constituído pelos idosos, que além da alimentação têm ainda um grande encargo com medicamentos. «Como não podem deixar de tomar os medicamentos, acabam por comer menos», o que acaba por os colocar no grupo cada vez maior da população portuguesa que necessita de ajuda alimentar, sustenta a mulher que lidera a estrutura constituída por 13 bancos alimentares que recolhem bens doados e os distribuem através de instituições de solidariedade.
domingo, agosto 24, 2008
Será que a população não tem vergonha?
Para alguns cidadãos deste país, a medida do presidente da câmara de Vila Real poderá ser apelidada de extremista ou demasiado retrógrada, fazendo lembrar outros tempos em que havia jultas por cuspir ou deitar lixo no chão. No entanto, e com muita tristeza minha, hoje penso de forma diferente.É incrível como toda a liberdade por nós conquistada não levou à conquista de maior responsabilidade social. Cada vez mais se introduzem conteúdos sobre questões de cidadania nos programas/currículos escolares e, no entanto e na mesma proporção, aumenta a falta de educação e o descuido dos cidadãos face à comunidade e ao bem-comum. A Escola não consegue cumprir sozinha um papel que devia caber, de forma evidente, às famílias :(
Em Vila Real, a partir de 1 de Setembro, passará a ser alvo de multa (e espero que se realmente fiscalizado):
- o não fechar as tampas dos caixotes do lixo (coimas entre os cinco e os 2.500 euros),
- a destruição de contentores ou ecopontos (multas poderão ir dos 100 aos 400 euros, além do pagamento da reparação ou substituição do bem destruído),
- a não colocação dos dejectos caninos no centro histórico pela cidade nos cerca de 40 porta-sacos e contentores (multa entre 50 aos 250 euros),
- a deposição de resíduos nos contentores sem acondicionamento em sacos de plástico ou o vazamento de resíduos líquidos (coimas de 10 a 100 euros),
- deitar lixos no recipiente errado, por exemplo vidro no lugar dos plásticos (poderá ter de pagar de 25 a 100 euros) ,
- largar ou despejar resíduos de construções em locais não autorizados pelas entidades competentes, por parte dos empreiteiros ou outros produtores (multas mais pesadas e que poderão chegar aos 2.500 euro).
Também estou farta de pisar dejectos enquanto passeio, cheirar o lixo quando passo por contentores, observar diariamente a destruição de caixotes do lixo... Eu cumpro e garanto que não custa nada! Pode ser que outras populações reconheçam a necessidade de alterar comportamentos, sem terem que ver a sua autarquia recorrer a medidas tão drásticas.
quinta-feira, agosto 21, 2008
TODOS os atletas olímpicos estão de parabéns!
Mesmo que não tragam medalhas olímpicas, todos os atletas portugueses merecem o nosso aplauso. Trabalharam imenso (e sabe-se lá com que falta de condições) para conseguirem os tempos necessários. Mas claro que hoje, o dia é do Nelson Évora: mais nenhum conseguiu uma medalha de ouro.
Do seguinte vídeo, gosto especialmente quando Évora pede aos portugueses que coloquem as bandeiras de Portugal nas janelas, tal como fizeram com os futebolistas, pois também o Atletismo o merece.
Mas confesso que estou desiludida com o Obikwelu.
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Não gostei das suas desculpas. Fez-me pensar se teria a consciência pesada (não terá trabalhado tanto quanto devia?!). E mais: desistir de competir logo a seguir, os 200 metros? Mas que exemplo é este para os nossos jovens? Como é difícil, há outros muito bons, então desiste escolhendo o caminho mais fácil :(
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Gosto mais de atitudes de valentia e o Nelson Évora demonstrou que é possível vencer aos melhores do mundo. Não se pode é desistir...
quarta-feira, agosto 13, 2008
sexta-feira, agosto 01, 2008
Por estes dias, ainda demos um salto até Óbidos...
É uma localidade que visitamos com alguma regularidade. Gosto das suas ruas pequenas e íngremes ;) mas ainda não a conhecia nestes dias festivos. Fiquei a saber que, caso viesse trajada como uma donzela medieval, não pagaria a entrada e vimos imensa gente assim vestida! Para o ano já sei ;)
Como não tínhamos muito tempo disponível (estávamos a caminho das Caldas da Rainha para a masterclass de Flauta) acabámos por não entrar e apenas demos uma voltinha pelas vendas, onde comemos umas amêndoas acabadinhas de caramelizar e bebemos um licor de ginga com chocolate. Divinal :D
Falaram-nos ainda de outro acontecimento a não perder: o Festival do Chocolate.
Para além disto tudo, apercebemo-nos que Óbidos é uma terra com imensa Música: decorria, na altura, um festival de Ópera e, uns dia depois, ouvimos falar de outro de Piano. Fiquei surpreendida... Parece uma terrinha, não é?...
terça-feira, julho 29, 2008
Sábado e domingo foram dias de Prémio...
... na Casa da Música, no Porto.
Foi numa das suas obras (Ay ondas) que ouvimos a nossa amiga Carisa Marcelino...

...e, para surpresa nossa, também a professora de Canto da Carolina, Ana Rosa Santos.
Um dia delicioso! Isto é que são férias!
Um dia em Évora
Fomos até Évora descobrir uma floresta interessantíssima composta por árvores pintadas por alunos de diversas escolas locais. Escolhi esta para vos mostrar situada na Praça do Giraldo. Porquê esta? ;)
Foi curioso o facto de começar e acabar com uma mesma obra de Schoenberg (Kammersymphonie op.9), deixando pelo meio Stockhausen (Kontra-Punkte) e Webern (Symphonie, op.21). E, no entanto, quando voltámos a ouvir a primeira obra nem a reconheci! Uma experiência engraçada...
quinta-feira, maio 22, 2008
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