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quarta-feira, fevereiro 19, 2014

quinta-feira, março 22, 2012

Dia Mundial da Poesia (21 março)



Aqui encontrei várias versões deste mesmo poema de Alberto Caeiro. Mas é incrível como me deixei seduzir pelo timbre quente deste ator...

terça-feira, novembro 08, 2011

Nada melhor me descreve nos últimos tempos...

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos



domingo, março 21, 2010

Para o Dia Mundial da Poesia...

Já não é a primeira vez que mostro este filme, mas repito a experiência pois considero-o poesia pura!

segunda-feira, julho 06, 2009

Poesia cantada "Aquarela"

Foi hoje, no percurso de regresso a casa, que ouvi a playlist de alguém que desconheço, mas cujo gosto me agradou... Ouvi GNR, Amy Winehouse e Toquinho numa música que já (em tempos) coloquei aqui no blogue, mas que não resisto a repetir a entrada. É, tal como o nome indica, uma conjugação de sons e tons liiinda!
.
Acabei por ficar com pena de não fixar o nome do autor da playlist...

sexta-feira, abril 17, 2009

A voz do poeta Taylor Mali com "What teachers make"

Um poema espantosamente acutilante, que encontrei no blogue do Coro de Câmara de Setúbal e resolvi partilhá-lo convosco. Este homem deve ser maravilhoso ;)

terça-feira, abril 14, 2009

O 1º já passou, mas ainda há mais dois...

Espectáculo de música e poesia a partir da obra de Bertolt Brecht e Kurt Weill
com Susana Russo, Helder Gonçalves e Gil Nave
Évora
DAS CIDADES
.
Por debaixo esgotos
sobre o solo nada
e por cima o fumo.
Ali vivemos nós sem gozo nem consolo.
Depressa passámos por elas. E devagar,
também
elas seguem o nosso rumo
.
Bertolt Brecht

sexta-feira, março 21, 2008

21 de Março - um dia especial!

Segundo me apercebi aqui, o dia 21 de Março é comemorado em várias partes do mundo pelos mais diversos motivos: no Brasil é o Dia Nacional da Terra, na Namíbia comemora-se o Dia da Independência, segundo a OMS hoje é o Dia Mundial do Sono e segundo a UNICEF, o Dia Mundial da Infância; para a ONU hoje é o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial e o Dia Mundial da Floresta (Dia Mundial da Árvore); para a UNESCO hoje é também o Dia Mundial da Poesia, Dia Universal do Teatro e o Dia Internacional da Síndrome de Down.
Qualquer uma das efemérides poderia ser destacada. Afinal, todas elas são de elevada importância. Mas, e uma vez que adquiri há uns dias o livro de poesia da Teresa Martinho Marques "Das Palavras", aqui vos deixo uma doçura...
O bibe
Tiro do bolso um tostão
um papel de rebuçado
uma flor velhinha e seca
um segredo amarrotado
um berlinde e um pauzinho
um fio azul, um pião.
Nunca o bolso está vazio
quando nele meto a mão.
Quando tiver de crescer
e o meu bibe se rasgar
onde vou buscar surpresas
onde vou buscar um sonho
quando deles precisar?

quinta-feira, janeiro 17, 2008

terça-feira, janeiro 15, 2008

Já conhecem esta boca?

Já não é a primeira vez que aqui falo desta "Boca" :D
É que, de vez em quando, lembro-me destas poesias deliciosas e vou à procura do CD. Passo, então, alguns minutos a ouvir falar da candura das paixões infantis... Hummm! Que delícia...
E o exemplo que está no sítio da editora não é (de todo) o poema mais bonito.

domingo, dezembro 09, 2007

Um dos poemas mais belos de Sophia de Mello Breyner Andresen

Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

"NO TEMPO DIVIDIDO E MARNOVO", com ilustrações de Arpad Szenes (1985)

quinta-feira, novembro 08, 2007

Olhar


Meigo,
esse teu olhar
entrega-se
no silêncio
do pouco que dizes
na quietude
do que não fazes.
Meigo
esse teu olhar
amor
contado na história
calado,
dizendo tudo.

(tirado daqui)

sábado, outubro 27, 2007

Poesia

A Bala Fatal

a bala fatal
não é aquela
que tomba o corpo
definitivamente

tão pouco é a da dor única
e derradeira

fatal é a bala
que acerta o ninho de sonhos
em cheio
e estilhaça-o em pedaços tantos
de se perder a conta
e não mais se conseguir juntá-lo
num só.

a bala que tomba o corpo
sangra só uma vez.

a outra,
dói todos os dias
pro resto da vida da gente.

Ademir Antônio Bacca (1960-)

quinta-feira, setembro 27, 2007

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas.

Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço, Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço…

Álvaro de Campos

domingo, agosto 19, 2007

Pescaria

Já aqui coloquei uma poesia de Cecília Meireles A Bailarina.
São poesias doces, ternurentas. Gosto.
Hoje encontrei um video no blogue Lousa Digital, publicado através do Youtube e baseado no poema Pescaria, da mesma poetisa.
Partilho convosco...


(Ahhh! Desculpem o ruído inicial. Vale a pena o sacrifício!)

Encontrei, depois, outra versão do mesmo poema.

quinta-feira, julho 12, 2007

Alberto Caeiro



É um facto que Alberto Caeiro não foi MÚSICO. Eis a prova...

XI

Aquela senhora tem um piano
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...

Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a Natureza.


(in Poemas de Alberto Caeiro, Colecção Poesia/Edição Ática)

Fora ele músico e saberia que a Música é, também ela Natureza...
E que feliz sensação a de poder, não só ouvi-la, como também integrá-la, ser eu nela!