quinta-feira, março 22, 2012
Dia Mundial da Poesia (21 março)
Aqui encontrei várias versões deste mesmo poema de Alberto Caeiro. Mas é incrível como me deixei seduzir pelo timbre quente deste ator...
sexta-feira, março 16, 2012
Repasso, com angústia...

Carta a professores, alunos, pais, governantes, cidadãos e quaisquer outros que possam sentir-se tocados e identificados. As reformas na educação estão na boca do mundo há mais anos do que os que conseguimos recordar, chegando ao ponto de nem sabermos como começaram nem de onde vieram. Confessando, sou apenas uma das que passou das aulas de uma hora para as aulas de noventa minutos e achei aquilo um disparate total. Tirava-nos intervalos, tirava-nos momentos de caçadinhas e de saltar à corda e obrigava-nos a estar mais tempo sentados a ouvir sobre reis, rios, palavras estrangeiras e números primos.
Depois veio o secundário e deixámos de ter “folgas” porque passou a haver professores que tinham que substituir os que faltavam e nós ficávamos tristes. Não era porque não queríamos aprender, era porque as “aulas de substituição” nos cansavam mais do que as outras. Os professores não nos conheciam, abusávamos deles e era como voltar ao zero. Eu era pequenina. E nunca me passou pela cabeça pensar no lado dos professores. Até ao dia 1 de Março. Foi o culminar de tudo. Durante semanas e semanas ouvi a minha mãe, uma das melhores professoras de Inglês que conheci, o meu pilar, a minha luz, a minha companhia, a encher a boca séria com a palavra depressão. A seguir vinham os tremores, as preocupações, as queixas de pais, as crianças a quem não conseguimos chamar crianças porque são tão indisciplinadas que parece que lhes falta a meninice. Acreditem ou não, há pais que não sabem o que estão a criar. Como dizia um amigo meu: “Antigamente, fazíamos asneiras na escola e quando chegávamos a casa levávamos uma chapada do pai ou da mãe. Hoje, os miúdos fazem asneiras e os pais vão à escola para dar a dita chapada nos professores”. Sim, nos professores. Aqueles que tomam conta de tantos filhos cujos pais não têm tempo nem paciência para os educar. Sim, os professores que fazem de nós adultos competentes, formados, civilizados. Ou faziam, porque agora não conseguem.
A minha mãe levou a maior chapada de todas e não resistiu. Desculpem o dramatismo mas a escola, o sistema educativo, a educação especial, a educação sexual, as provas de aferição e toda aquela enormidade de coisas que não consigo sequer enumerar, levaram deste mundo uma das melhores pessoas que por cá andou. E revolta-me não conseguir fazer-lhe justiça. Professores e responsáveis pela educação, espero que leiam isto e acordem, revoltem-se, manifestem-se (ainda mais) mas, sobretudo e acima de qualquer outra coisa, conversem e ajudem-se uns aos outros. Levem a história da minha mãe para as bocas do mundo, para as conversas na sala dos professores e nos intervalos, a história de uma mulher maravilhosa que se suicidou não por causa de uma vida instável,não por causa de uma família desestruturada, não por dificuldades económicas, não por desgostos amorosos mas por causa de um trabalho que amava, ao qual se dedicou de alma e coração durante 36 anos.
De todos os problemas que a minha mãe teve no trabalho desde que me conheço (todos os temos, todos os conhecemos), nunca ouvi a palavra“incapaz” sair da boca dela. Nunca a vi tão indefesa, nunca a conheci como desistente, nunca pensei ouvir “ando a enganar-me a mim mesma e não sei ser professora”. Mas era verdade. Ela soube. Ela foi. Ela ensinou centenas de crianças, ela riu, ela fez o pino no meio da sala de aulas, ela escreveu em quadros a giz e depois em quadros electrónicos. Ela aprendeu as novas tecnologias. O que ela não aprendeu foi a suportar a carga imensa e descabida que lhe puseram sobre os ombros sem sentido rigorosamente nenhum. Eu, pelo menos, nãoo consigo ver.
E, assim, me manifesto contra toda esta gentinha que desvaloriza os professores mais velhos, que os destrói e os obriga a adaptarem-se a uma realidade que nunca conheceram. E tudo isto de um momento para o outro, sem qualquer tipo de preparação ou ajuda. Esta, sim, é a minha maneira de me revoltar contra aquilo que a minha mãe não teve forças para combater. Quem me dera ter conseguido aliviá-la, tirar-lhe aquela carga estupidamente pesada e que ninguém, a não ser quem a vive, compreende. Eu vivi através dela e nunca cheguei a compreender. Professores, ajudem-se. Conversem. E, acima de tudo, não deixem que a educação seja um fardo em vez de ser a profissão que vocês escolheram com tanto amor. Pensem no amor. E, com ele, honrem a vida maravilhosa que a minha mãe teve, até não poder mais.
Sara Fidalgo
quinta-feira, março 15, 2012
quinta-feira, março 01, 2012
"Um dia isto tinha de acontecer"
domingo, fevereiro 12, 2012
Os últimos dias e o coro Voximix
Hoje coloco aqui uma reportagem e um pequeno filme que revelam o quanto tenho andado ocupada. E, não me posso esquecer que a minha vida não é só CRCB... ;)
quinta-feira, janeiro 12, 2012
domingo, janeiro 08, 2012
domingo, janeiro 01, 2012
Ano velho, ano novo
Despertemos, então, para mais um ano novo que depressa se tornará velho e rançoso, caso não façamos algo para o tornar produtivo e feliz.segunda-feira, novembro 28, 2011
quinta-feira, novembro 24, 2011
O que desejam as pessoas que desistiram de lutar?
quinta-feira, novembro 10, 2011
Somos nós que construimos o nosso futuro
Cada um de nós pode (e deve) contribuir para um mundo melhor!
Por brincadeira, podemos imaginar assim coisas bonitas ;)
www.this-is-my-story.com/v/3VK1LJ0W9G02
terça-feira, novembro 08, 2011
Nada melhor me descreve nos últimos tempos...
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
domingo, novembro 06, 2011
domingo, outubro 30, 2011
sábado, outubro 22, 2011
Ainda há pessoas assim...

domingo, outubro 16, 2011
No dia mundial da alimentação...

sábado, outubro 15, 2011
domingo, outubro 09, 2011
Estamos todos loucos
Já agora, não se ouve nele falar da hiperatividade, mas o sistema deve ser exatamente o mesmo! Claramente!! Basta ver como o número de crianças com esta disfunção disparou nos últimos anos :(
domingo, outubro 02, 2011
sábado, outubro 01, 2011
domingo, setembro 25, 2011
Surpresas de uva
Ontem foi a festa de aniversário da minha sobrinha Filipa, num espaço muito agradável, perto de Aveiras e resolvi levar-lhe uns miminhos doces - Bagos de Uva cobertos ;)Infelizmente, acabei por me esquecer de fotografá-los e, por esse motivo, procurei uma imagem na net que se assemelhasse aos meus, mas confesso que os achei bem mais bonitos que estes [Os meus, claro! :D] Deixei-os ficar com pé, decorei-os com fios de caramelo e coloquei-os em forminhas de papel dourado.
São bagos de uva rija (ainda com pé) cobertos com uma massa de leite condensado que se levou a engrossar com uma gema de ovo, aroma de baunilha e 15 g de margarina. Depois de fria, é só usar partes da massa para envolver cada bago de uva, deixando o pé de fora. No final, após serem colocados em papel frisado, cobrem-se com açúcar caramelizado feito na hora. No final, o caramelo endurece e fica crocante, contrastando com a leveza do doce. Escusado será dizer que fizeram um sucesso!
Mais uma experiência que voltarei, de certeza, a repetir talvez com outros frutos no interior ;)
(Para quem tem menos experiência nestas lides, devo só acrescentar que a massa deve ser refrescada e trabalhada sempre com o prato e as mãos molhados em óleo)
quarta-feira, setembro 21, 2011
Vale a pena pensar nisto
"Um agricultor colecionava cavalos e só lhe faltava uma determinada raça. Um dia, descobriu que o seu vizinho tinha esse determinado cavalo e atazanou-o até conseguir comprá-lo. Um mês depois o cavalo adoeceu e ele chamou o veterinário:
- Bem, o seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este medicamento durante 3 dias, no terceiro dia eu retornarei e, caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo.
Ali perto, o porco escutava a conversa toda. No dia seguinte deram o medicamento e foram-se embora. O porco aproximou-se do cavalo e disse:
- Força amigo! Levanta-te daí, senão serás sacrificado!!!
No segundo dia, deram-lhe o medicamento e foram-se embora. O porco aproximou-se do cavalo e disse:
- Vamos lá amigo, levanta-te senão vais morrer! Vamos lá, eu ajudo-te a levantar... Upa! Um, dois, três.
No terceiro dia deram-lhe o medicamento e o veterinário disse:
- Infelizmente, vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.
Quando se foram embora, o porco aproximou-se do cavalo e disse:
- É agora ou nunca, levanta-te depressa! Coragem! Upa! Upa! Isso, devagar! Ótimo, vamos, um, dois, três, agora mais depressa, vá... Fantástico! Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa!!! Tu venceste, Campeão!!!
Então, de repente o dono chegou, viu o cavalo a correr no campo e gritou:
- Milagre!!! O cavalo melhorou! Isto merece uma festa... para comemorar, vamos matar o porco!!!
Reflexão: Isto acontece com frequência no ambiente de trabalho e na vida também. Dificilmente se percebe quem é o funcionário que tem o mérito pelo sucesso, por isso saber viver sem ser reconhecido é uma arte; procure ser uma pessoa de valor em vez de uma pessoa de sucesso."
domingo, setembro 18, 2011
O começo de uma nova etapa
quarta-feira, setembro 14, 2011
Crumble de maçãs e peras
Para quem, como eu, gosta destas receitas doces com frutas, aqui fica esta retirada do programa "Barefoot contessa", do canal food network:
Mistura-se 1kg maçã e 1kg de peras descascadas e cortadas em pedaços com meia chávena de mirtilos secos (ou arandos secos como eu fiz), raspa de um limão e de uma laranja, 2 colheres de sopa de sumo destas duas frutas, meia chávena de açúcar, um quarto de chávena de farinha, 1 colher de chá de canela e meia colher de chá de noz moscada.
À parte, mistura-se 1,5 chávenas de farinha com meia chávena de açúcar amarelo, meia chávena de açúcar branco, meia colher de chá de sal, 1 chávena de aveia (usei aveia integral) e 200g de manteiga, até ficar uma massa areada.
Colocar a fruta num pirex e, sobre ela espalhar (aos bocados) a massa areada. Vai ao forno até a parte de cima ficar tostada e crocante. Depois, é só saborear!! :D
segunda-feira, setembro 05, 2011
A dificuldade da adoção do novo português...
Parabéns à Carla e ao Saúl
Tenho o enormíssimo prazer de aqui divulgar que, no nível superior da Música de Câmara do concurso Prémio Jovens Músicos, foi atribuído o primeiro prémio ao grupo Dryads Duo, composto pelos músicos Carla Manuel Santos (Violino) e Saul Picado (Piano).
domingo, setembro 04, 2011
Procura seguir o lema: "Stay hungry. Stay foolish"
sábado, setembro 03, 2011
terça-feira, agosto 30, 2011
Back to school cartoons
segunda-feira, agosto 29, 2011
domingo, agosto 28, 2011
sábado, agosto 27, 2011
A Lusitana disponível em todo o mundo
Não deixa de ser interessante uma empresa desta qualidade numa tão pequena localidade: Alcains. Impecável!
sábado, agosto 20, 2011
Oiçam, leiam, bebam desta música fantástica!
sábado, agosto 13, 2011
terça-feira, agosto 09, 2011
Mas o que se passa?
quarta-feira, julho 27, 2011
Proposta de trabalho no Brasil
quarta-feira, julho 20, 2011
Mas que bela parceria
(sugestão da Intermúsica)
segunda-feira, julho 18, 2011
domingo, julho 10, 2011
Odete procura o amor
sábado, julho 09, 2011
domingo, julho 03, 2011
sábado, julho 02, 2011
domingo, junho 19, 2011
terça-feira, junho 07, 2011
Há alturas em que o cansaço se apodera de mim...
Tenho saudades de não fazer nada e não me sentir culpada por isso ;)
segunda-feira, junho 06, 2011
sexta-feira, junho 03, 2011
terça-feira, maio 31, 2011
segunda-feira, maio 23, 2011
No próximo sábado, em Coimbra
sábado, maio 14, 2011
"Pina" de Wim Wenders
Deixo aqui um excerto de uma das suas obras ("Cafe Muller") retratado no filme. Com uma música lindíssima de Purcell...
quarta-feira, maio 11, 2011
"Estamos a espatifar a infância das crianças" diz Eduardo Sá
domingo, maio 08, 2011
Dia 13 em Castelo Branco e 14 na Ericeira
Carolina Patrício (flauta)
Catarina Passos (flauta)
Paulo Pacheco (piano)
Programa:
J. S. Bach - Trio Sonata para duas flautas e baixo contínuo em Sol Maior, BWV 1039
Jean Michel Damase - Trio para flauta, oboé e piano
A. B. Fürstenau - L'Union, Introdução e Rondó Brilhante, op.15, sobre o tema
de "Norma" de Bellini, para duas flautas e piano
Franz Doppler - Andante e Rondo para duas flautas e piano
22h00
Casa da Cultura Jaime Lobo e Silva, Ericeira
Trio:
Carolina Patricio (flauta)
Claude Debussy — Sonata
Manuel Moreno-Buendía — Suite Popular Espanhola
sábado, maio 07, 2011
quarta-feira, maio 04, 2011
Um "encore" especial...
sábado, abril 30, 2011
A música no romance de Joaquim de Oliveira Ribeiro
domingo, abril 24, 2011
sexta-feira, abril 22, 2011
terça-feira, abril 19, 2011
Novo romance na família
segunda-feira, abril 11, 2011
Pedido de ajuda
Mais uma ópera em Castelo Branco
quinta-feira, abril 07, 2011
Coisas boas da vida
segunda-feira, abril 04, 2011
domingo, abril 03, 2011
O trabalho de domingo
quarta-feira, março 30, 2011
Concerto com o flautista Nuno Inácio
segunda-feira, março 28, 2011
O Homem vem aí...
Francis Hime e Chico Buarque
Ei, pintassilgo
Oi, pintaroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol sem fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chapim
Xô, cotovia
Xô, ave-fria
Xô, pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
domingo, março 27, 2011
Fantástico
Mas depois de ver este vídeo, até como produtora! Chegar ao fim do dia cansada, mas liberta de arrelias com alunos, legislações, papéis, burocracias... Infelizmente, cada vez mais me sinto pouco realizada no ensino. Feliz e em sintonia com a natureza? Adoraria!
Teatro?! Nem pensem. Isto é maldade, mesmo!
Ainda vai havendo boas notícias
sábado, março 26, 2011
Desilusões...

domingo, março 13, 2011
Tsunamis...
segunda-feira, março 07, 2011
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
The food of love
"If music be the food of love" de Henry Purcell.
(Que saudades do Coro Misto do CRCB, dirigido pelo maestro José Carlos Oliveira...)
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
Mas e a criatividade?!
O vídeo está a ser transmitido nas escolas, inserido no programa de educação sexual infantil.
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Contribuindo para um mundo melhor...
Tendo estado tanto tempo sem aqui vir, este é um excelente recomeço. Este vídeo foi-me enviada por email por um amigo que, tal como eu, gosta de partilhar coisas boas :D
quarta-feira, janeiro 12, 2011
Entristece-me.
domingo, janeiro 09, 2011
Decisões pouco coerentes...
terça-feira, janeiro 04, 2011
Uma forma diferente de mostrar o nosso amor
.
.
domingo, janeiro 02, 2011
Felicidade
sexta-feira, dezembro 31, 2010
quinta-feira, dezembro 30, 2010
Prendas especiais

terça-feira, dezembro 28, 2010
A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.
Pedro Afonso
Médico psiquiatra
segunda-feira, dezembro 27, 2010
domingo, dezembro 05, 2010
segunda-feira, novembro 29, 2010
É difícil não contar :D
quarta-feira, novembro 24, 2010
"Causa-lhe transtorno?"
.
E eu estou, de facto, com medo do futuro. Ao ouvir alguns entrevistados nos programas da manhã (SIC Notícias e RTPN), apercebo-me que quase todos os que estão contra esta manifestação de indignação (falando apenas da população comum e não dos políticos) não viveu antes do 25 de Abril.
.
A nossa geração e a dos nossos pais não souberam transmitir aos filhos e netos a imagem de como se vivia na ditadura e isso assusta-me de sobremaneira. Alguns alunos queixaram-se, afirmando que também eles têm direito às aulas. Bem, tal como o país tem caminhado, eles que aguardem uns anitos e verão que direitos lhes assistirão :(



















