domingo, junho 26, 2016

De certeza que sou uma ET

Há alturas em que penso que não pertenço aqui. "Aqui" num sentido lato... 

Tenho dificuldade em encontrar pessoas que têm os mesmos ideais; que gostem das mesmas coisas que eu; que se revoltem com as coisas com que me revolto; que se recusem a ouvir as mesmas músicas banais, de baixa qualidade; que deixem de bater palmas ao ridículo, ao mau-gosto, ao fácil... Recuso-me a aceitar o medíocre, a pactuar com o "deixa-andar", a aceitar o que não presta apenas porque todos os demais o aceitam. 

Vivo de paixões e dou-me por inteiro. Saio ferida. Sempre.

É tão estranho! Vivo numa cidade do Interior do país. Será por isso? Serão as gentes diferentes? Serei eu a "estranha"? 

Oiço as notícias, leio-as nos jornais online e fico atónita com as indecisões, com as decisões que são tomadas e depois "destomadas", logo em seguida. "Arrependi-me", dizem; "Votei neste mas, foi sem querer. Nunca pensei que ganhasse. Temos que ir a votos outra vez!" Mas estão todos parvos?! Um tipo que deixa o pai e a tia, ambos idosos e doentes, morrer à fome e ao abandono e é absolvido em tribunal. Um governo que descobre a pólvora, reinventando uma espécie de "Área Projecto", mas sem horas lectivas nem pares pedagógicos. Pais que desejam que os filhos passem mais e mais tempo na escola, bem longe da sua vista. Mas estará tudo louco?!

Assisto a espectáculos ridículos, com pretensos artistas de renome (ou nem por isso) que só estragam o conceito de Música e o público bate palmas, em pé. Mas o que se passa?!

Quando digo "não vou por aí", respondem-me "mas todos os outros vão!"... QUERO LÁ SABER!!!

Olho à minha volta e sinto-me uma ET, não me revejo em ninguém, não vislumbro um lampejo de sinceridade, coerência, atitude... Não encontro ninguém com "eles" no sítio. Estarei no tempo errado, no local errado? Ou estarei eu completamente errada e o melhor é mesmo seguir a fila que segue à minha frente, com todos os indivíduos de cabeça baixa e obedientes? 

Às vezes sonho que falta pouco para eu própria dizer "ET phone home" e que, nessa altura, alguém virá para me levar deste Planeta.

(*suspiro)




sexta-feira, junho 10, 2016

Bolo VEGAN de cenoura e chocolate

Garanto-vos que é delicioso! Deixo-vos a receita.

Massa
1 cháv. bem cheia de cenoura picada miúda
1 e 1/4 de cháv. de leite vegetal (usei de amêndoa)
1 c. sopa de semente de linhaça (usei substituto de ovo)
4 c. sopa de óleo vegetal
1 cháv. de açúcar mascavado
sumo de 1/2 limão
2 cháv. de farinha de trigo
1 c. sopa de fermento em pó
Calda
1/4 cháv. de leite vegetal
4 c. sopa de cacau em pó
2 c. sopa de açúcar


Preparação


Bata na liquidificadora a cenoura, o leite vegetal, a linhaça, o óleo, o sumo de limão e o açúcar até ficar homogéneo. Num recipiente, misture a farinha com o fermento em pó. Despeje o líquido sobre os ingredientes secos e misture bem. Leve a cozer em forma pequena, untada e enfarinhada; a 200º, por cerca de 35 minutos.

Para a calda: misture bem todos os ingredientes e leve ao fogão, mexendo e deixando ferver em fogo baixo por alguns minutos até engrossar. Despeje sobre o bolo depois de retirado da forma.

domingo, maio 01, 2016

À minha mãe...

Pequeno Poema

Quando eu nasci, 
ficou tudo como estava. 

Nem homens cortaram veias, 
nem o Sol escureceu, 
nem houve estrelas a mais... 
Somente, 
esquecida das dores, 
a minha Mãe sorriu e agradeceu. 

Quando eu nasci, 
não houve nada de novo 
senão eu. 

As nuvens não se espantaram, 
não enlouqueceu ninguém... 

Pra que o dia fosse enorme, 
bastava 
toda a ternura que olhava 
nos olhos de minha Mãe... 

Sebastião da Gama, in 'Antologia Poética' 

quinta-feira, abril 14, 2016

O que é isso de ARTE

When artists make art, they shouldn't question whether it is permissible to do one thing or another.

Sol LeWitt (
Um dos principais protagonistas da arte minimalista)

Deixo aqui as palavras de Valter Hugo Mãe

Os Professores (Valter Hugo Mãe)
Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade.
A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria do mundo em que o mundo se tem vindo a tornar.
Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe.
Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesses crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo.
Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes.
Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se tivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.
Dá-me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias.
Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto.
As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.
Autobiografia Imaginária | Valter Hugo Mãe | JL Jornal de Letras, Artes e Ideias | Ano XXII | Nº 1095 | 19 de Setembro de 2012

quarta-feira, agosto 05, 2015

Curso de Direcção Coral em Aveiro: adorei!!

Estreia mundial da obra "Olham por dentro" de Alfredo Teixeira e poema do pe. José Tolentino Mendonça, com o grupo de maestros inscritos no curso e alguns coralistas convidados. Direcção de Armanda Patrício, sob o olhar atento do maestro Gonçalo Lourenço.

https://www.facebook.com/armanda.patricio/videos/10153018699951629/?l=6697584074900976621


Muito obrigada à Ana Sofia e ao João José por terem filmado e nos permitirem o acesso ao seu trabalho :D