sexta-feira, julho 13, 2007

Marcos Diaz

Fui ao Governo Civil "ouver" o guitarrista Marcos Diaz. Tocou as Suites nº1 BWV 1007 e nº6 BWV1012 de Bach, transcritas (claro) para guitarra. Interpretou também alguns andamentos de 5 sonatas de Scarlatti (K36, K77, K476, K208 e K209).

Devo confessar que fui a este concerto na esperança de modificar a opinião que tenho da guitarra. É um instrumento que nunca me atraiu, vamos lá saber porquê... E, apesar de reconhecer que o instrumentista tocou muito bem e que deve ser terrível tocar estas suites em guitarra, não conseguiu alterar em nada a minha opinião. Do meu ponto de vista, o instrumento não tem corpo para transmitir paixão... falta-lhe voz. Sou uma pessoa de paixões e, por ventura, a guitarra é demasiado delicada para mim.

Não sei se o Semedo se zanga comigo, mas gravei um excerto que aqui partilho convosco.

4 comentários:

Stalker disse...

Fiquei muito curioso: quando dizes que falta voz à guitarra, sentes que é um "problema" de intensidade ou de cambiantes?
A guitarra que ouviste estava muito condicionada pelo repertório (Bach e Scarlatti) e talvez não fosse o melhor para tu mudares de opinião.

AP disse...

Olha, nem sei! De intensidade, sem dúvida... de cambiantes... uhmmm!... também. Soa-me sempre a pouco. Ter ouvido o Bach muito bem tocado no violoncelo com o Bruno Borralhinho e ouvi-lo agora (também muito bem tocado, é certo!) assim, em guitarra, sem grandes arrebatamentos, sem a paixão que o violoncelo imprime, deixa-me insatisfeita. Até me parece que os guitarristas, quando "se deixam levar", logo há uma nota estrangulada e, então, o melhor mesmo é tocar friamente... Sinceramente, a peça que mais gostei foi o encore (espanhola e pertencente a um outro repertório).
Será já um preconceito meu?

Stalker disse...

Preconceito? Não sei. Todos temos as nossas referências e preferências. Gosto muito de guitarra. Habituei-me às suas qualidades e, como sabes, estudei-a durante uns anitos. É curioso que não tenho programado muitos guitarristas. Que me lembre, apenas uma meia dúzia: os Katona Twins, o Egberto Gismonti, Paulo Belinatti, o Miguel Carvalhinho (num concerto com a Cristina Branco e o Custódio Castelo) e, agora, o Marcos Díaz. Não sei porquê, mas aconteceu.

AP disse...

É certo que já trouxeste mais guitarristas (bons, por sinal!): veja-se o caso do excelente guitarrista do Trio Cello Samba que acompanhou o Jaques Morelenbaum. Mas esta minha questão prende-se mais com o instumento enquanto solista...