quarta-feira, novembro 28, 2007

Não resisto a aqui colocar...

... este texto que, não sabendo a sua origem, me chegou via e-mail e nos revela uma questão bem pertinente:

Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;
Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...

E depois ouço,
alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores, secretários de estado, a ministra
e, como se não bastasse, outros professores,
e a ministra!...

Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?
- Que eu dê aulas!?...

5 comentários:

bell disse...

Bem, posto desta maneira, não nos sobra tempo para o principal...

;)

AP disse...

E, se queres saber, já começo a sentir-me assim, stressada com o supérfluo e sem forças para enfrentar batalhões de crianças sôfregas para aprender, mas desconhecedoras dos limites da sua liberdade e da dos outros.

artimanha disse...

Está tudo dito, não resta tempo para o mais importante. O ministério da educação na ânsia de de uniformizar o ensino artístico às regras do ensino geral, passando por cima de várias especificidadesincontornáveis, vai fazendo os seus estragos também.
Relatórios e mais relatórios, quadros e mapas isso é que é importante. o professor de instrumento deixa de ser um artista para passar a ser um mero burocrata, sem tempo de se preparar convenientemente. No final o que fica? Nada.

AP disse...

E o mais estranho é que o ensino artístico está, paulatinamente, a deixar de ser um caso específico, para se tornar mais um ensino regular. Apesar das leis ainda serem distintas, cada vez mais se ouve falar em situações comparáveis ao ensino regular.

Da experiência que tenho como mãe, aqueles professores que menos relatórios produzem e mais música fazem, são os que melhor transmitem a sua mensagem. De pouco me serve se o professor de instrumento tem os sumários e os relatórios em dia, se nunca o aluno o ouvir tocar em público! Acho isso fundamental.

Aliás, há até situações em que aqueles que são piores professores,são os que têm os documentos mais "lindinhos"...

Não podemos cair em exageros!

artimanha disse...

"Aliás, há até situações em que aqueles que são piores professores,são os que têm os documentos mais "lindinhos"..."
Agora é que tu disseste tudo ...
É evidente que um bom instrumentista não será obrigatoriamente um bom professor, no entanto a pratica é necessária e não será com exemplos teóricos que se poderá dar boas aulas de instrumento.